Resenha: Horror em Amityville
Já aconteceram inúmeras catástrofes no mundo, fatos que fazem a gente pensar que o pior já passou, como por exemplo a carnificina que foi a Segunda Guerra Mundial, a devastação que a Tsunami fez no Sirilanka e adjacências, as vidas perdidas no dia onze de setembro, a morte da mãe de Bambi, a interpretação da música We Are The World por Solange (do BBB) e entre outros fatos que fazem de Dercy Gonçalves uma pessoa não tão horrorosa. Mas mesmo tendo acontecido tanta desgraça, você acaba assistindo um filme que muda todos os seus conceitos relacionados a palavra merda.
Lá estava eu e meu amigo Matheus no Multiplex do Shopping Iguatemi olhando a relação de filmes que estavam passando. Olhamos por um tempo e Matheus propôs assistirmos Dois Filhos de Francisco, mas como eu sabia que se tratava da vida de Zezé de Camargo e Luciano, logo excluí a possibilidade. No final das contas as opções foram Água Negra e Horror em Amityville, mas meu amiguinho não estava muito animado para assistir a segunda opção, então fomos comprar ingressos para Água Negra.
- Boa noite, dois ingressos para Água Negra, por gentileza.
- Não dá mais, nhé!
- Hum? Por que não?
- PORQUE A SESSÃO JÁ COMEÇOU E SÓ TERÁ OUTRA DAQUI A 3 HORAS, PORRA!
- Ok, não seja por isso. Dois ingressos para Horror em Amityville, por gentileza (SUA VADIA!).
- Tomaí! 16 conto.
- Muito obrigado (FILHA DUMA PUTA!).
Então fomos para sessão do filme macabro. Eu estava até animado pelo fato do filme ser baseado em fatos reais, o que me aliviava um pouco, pois os últimos filmes de terror/ficção/suspense que eu assisti (Os Esquecidos e o O Grito) foram não somente perda de tempo como também de dinheiro. Mas mal eu sabia que estava prestes a ver a produção hollywoodiana mais triste e repugnante já feita na história. Vamos ao filme.
Em 1974, no pequeno povoado de Amityville, um cara muito doido resolve matar os pais e os quatro irmãos enquanto eles dormiam. A polícia chega no local e pega como suspeito o único otário que ainda tava vivo naquela casa. Perguntam porque ele matou sua família e ele responde: "Porque vozes me mandaram fazer isso"... É, agora você sabe porque eu disse que o cara é louco.
Passa-se um ano e uma família tem a brilhante idéia de comprar a casa/local do crime, pois como muita massa cefálica foi explodida lá, a decoração de sangue e tripas fez com que o preço do dito imóvel abaixasse consideravelmente. Detalhe que além da clichezassa idéia de fazer um filme de casa mal-assombrada, um deficiente mental chamado Andrew Douglas, mais conhecido como diretor da obra, resolve colocar os personagens mais manjadíssimos na bosta que ele apelidou de filme: Casal jovem com filhinhos prodígios. Nossa, só faltava ter uma piveta/fantasma que se comunica com as criancinhas da casa para que o filme virasse o maior fiasco da história hollywoodiana... Ops, não é que isso acontece mesmo?
"Oi, quer ser meu amigo? Eu atravesso paredes."
A típica familiazinha se muda então para a recém-comprada casa e logo de cara começam a acontecer coisas previsivelmente estranhas. O casal tá numa costumeira cena de copulação, quando de repente o cara vê a menininha morta na porta do seu quarto. O ato sexual é interrompido e a mulher pergunta algo do tipo: "Colé mermão, broxou porra?!?", mas o cara resolve desconfiar das próprias córneas e diz que não foi nada, o que é muito estranho, pois é o mesmo que um avião cair no quintal da sua casa e você achar que foi só ilusão de ótica.
E assim o filme continua, com Chelsea (filha caçula do casal) praticamente gritando "Olha mamãe, eu falo com uma menina que já tá morta, não é legal?", com o maridão sendo encarnado por um espírito super malígno-du-mau (com direito a olhos vermelhos!) e com a casa jorrando sangue pelas paredes como se tivesse tendo uma hemorragia. Mas como isso é perfeitamente normal, a desnaturada da protagonista faz pouco caso e resolve sair para jantar com o marido, porém contratando uma baby-sitter para ficar com seus três filhos. Ah... "A" Babá! Desconfio que o próprio diretor percebeu que o filme chegou a tal nível de escrotisse que foi necessário apelar para a putaria e assim escalar no elenco uma babá que mais parecia uma striper de Las Vegas.
A babá Lisa. Rachel Nichols, para os punheteiros
A cena é tão descaradamente apelante, que a babá (trajada do jeito que estava) vai provocar os hormônios do gordinho pré-adolescente ao invés de cuidar das criancinhas com menos de 8 anos que poderiam estar engolindo pregos ou brincando de comer cola. Depois da Sra. Tetas praticamente enfiar uma cadeira na sua genitália, o diretor lembra que o filme era pra ser de terror. A babá tira a mão do gordinho da sua calcinha e resolve ir pro quarto das criancinhas para amedrontá-las, como toda babá em plena sanidade. Só que a Volúpia Girl não sabia com quem estava se metendo: Menininha-Malvada-Amiga-de-Defuntos! A pequena-medium tranca a babá num armário e então luzes começam a apagar e acender ao mesmo tempo em que cai sangue da lâmpada. Inexplicavelmente uma menina com uma cratera na testa, que mais parecia uma bola de boliche pendurada num pescoço humano, se materializa dentro do armário, pega o dedo de muié e enfia no seu orifício craniano, fazendo-a ter um surto-psicótico.
Depois disso, Kathy Lutz (a protagonista) faz uma fantástica descoberta: A casa é estranha! Ela resolve então apelar pra sacristia e chamar um padre pra benzer sua mansão. O velho chega carregado de água benta e começa a tacá-la na casa, mas como em todo filme de terror a palavra padre é sinônimo de otário, não preciso nem dizer que os demônios infernais do inferno se revoltaram e logo botaram o véio pra correr com o rabinho entre as pernas.
Com tanta bizarrice rolando na casa, com George (marido de Kathy) se comportando como um ogro psicopata usuário de drogas pesadas, a geniosa Kathy tem mais uma ótima idéia: Dormir. Feito isso, ela sai no dia seguinte para pesquisar sobre sua casa e descobre que lá foi palco de um genocídio em que um Padre, que mais parecia Freddy Krueger (com direito a ser mais horroroso), matou índios como se fossem moscas em meados do século XV + alguma coisa e assim ela FINALMENTE descobre que porra é que tá acontecendo: O Serial-God-Killer tá encarnado no marido dela.
Desesperada, Kathy volta pra casa para tentar tirar sua família de lá o mais rápido possível. Porém, como já deu pra perceber, na hora de criar os personagens, o roteirista esqueceu que normalmente os seres humanos pensam, diferente do que acontece com Kathy, que liga pro marido mandando-o sair da casa com os filhos. Óbvio que não foi isso que ele fez. É aí que começa uma daquelas perseguições de pseudo-suspense em que o psicopata vai atrás de sua vítima, a qual sempre consegue fugir.
E assim o filme acaba, juntamente com a carreira de todos os atores que aceitaram fazer parte dele e também com a vida social de Andrew Douglas, que provavelmente já deve ter se jogado duma ponte ou tentado cortar os pulsos.
[ERRATA] Antes eu tinha escrito "Terror em Amityville", sendo que o correto é "Horror em Amityville"... Grande merda! O filme continua sendo terrivelmente horrível.

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